Governo iniciará recuperação dos arcos do antigo Convento das Mercês

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O Governo do Maranhão, através da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), deverá iniciar nesta segunda-feira (28), a obra de restauração dos arcos de um dos claustros do antigo Convento das Mercês, que abriga a sede da Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB), no tradicional bairro do Desterro.

Os serviços foram autorizados mediante pleitos formulados pela Diretoria do Convento das Mercês junto à e junto ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Na última quinta-feira (24), engenheiros da Sinfra visitaram o prédio, além de técnicos do Patrimônio Estadual e de representantes de empreiteiras que irão realizar obra de restauração dos arcos do antigo claustro do Convento.

De acordo com informações de técnicos da Sinfra, a obra deverá ser executada no prazo de 180 dias e deverá ser iniciada nesta segunda-feira, 28.“Para nós, esta é uma notícia auspiciosa, já que este trecho do Convento se encontra interditado há cinco anos, inviabilizando o uso de um auditório localizado no piso superior e de algumas salas instaladas no piso inferior. Além disto, este problema prejudica o aspecto visual do Convento das Mercês que, por si só, é um verdadeiro museu a céu aberto”, afirmou o diretor do Convento, Paulo Melo Sousa, comemorando a notícia da reforma que será realizada pelo governo Flávio Dino.

Histórico

O Convento das Mercês, que foi posto sob invocação de Nossa Senhora da Assunção, embora o povo não o chamasse desta forma, começou a ser construído em 1654, quando chegaram a São Luís os mercedários João Cerveira (maranhense de Alcântara) e Marcos Natividade, vindos de Belém, que se juntaram aos frades Manoel de Assunção e Antônio Nolasco, além do leigo João das Mercês. Foi erguida ali em taipa coberta de palha. No ano seguinte, em terreno adicional, reedificaram as instalações em pedra e cal, construindo a capela-mor.

Com a Independência do Brasil (7 de setembro de 1822), iniciou-se um processo de esvaziamento do imóvel que resultou em seu abandono. Somente em meados do século XIX o logradouro passou por intervenções, destinando-se seu espaço para sede do Seminário Menor. Em 5 de maio de 1905, o prédio foi vendido para o Governo do Estado do Maranhão, que tratou de fazer novas intervenções na arquitetura original, invertendo, inclusive, as frentes do convento e da igreja anexa (que davam para o mar) e lhes conferiu a unidade de fachada única.

As intervenções foram de responsabilidade do Tenente Coronel Zenóbio da Costa. O motivo era simples, o local abrigaria o quartel da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado, que permaneceram ali até o final da década de 1980, quando os batalhões foram transferidos para as sedes atuais.

Com a saída dos militares, o imóvel passou por novas reformas (1987-1990), durante o Governo de Epitácio Cafeteira. A entrada principal está voltada para a Rua Jacinto Maia, protegida por canteiros de palmeiras. Antes, sua fachada principal era de frente para o rio Bacanga. Foram retirados os anexos que descaracterizavam a obra, descobertos os arcos originais e o poço. Nesta restauração, encontraram-se os alicerces da igreja demolida. Hoje, com 5.800 m² de área construída, o Convento das Mercês é detentor de um rico acervo museológico e bibliográfico, e foi considerado um dos Sete Tesouros de São Luís.