Hospital Nina Rodrigues realiza semana da luta antimanicomial

    Foto 1 Francisco Campos - Hospital Nina Rodrigues realiza semana da luta antimanicomialO Hospital Estadual Nina Rodrigues (HNR) comemora a Semana da Luta Antimanicomial com várias atividades que tiveram início na última segunda-feira (11), e se estenderá durante a semana, culminando no Brechó da Saúde Mental do Ambulatório, no dia 18. A comemoração acontece com pacientes tratados e reintegrados à comunidade nos serviços de Residência Terapêutica e integra as ações da Secretaria de Estado da Saúde (SES) com o fim de promover a humanização nos tratamentos de saúde, seguindo a política do governo Flávio Dino.

    Entre as atividades a serem desenvolvidas, está inclusa a exposição de trabalhos de pintura realizados no ambulatório de psiquiatria infantil, celebração de Missa pela Pastoral Carcerária com os familiares dos presos de justiça, e palestra sobre humanização aos profissionais, para abordar sobre as melhores formas de tratar pessoas com transtornos mentais.

    Como um dos destaques na programação, está o lançamento do selo alusivo aos 75 anos de fundação do HNR e homenagem aos profissionais e ex-pacientes. O evento é uma parceria com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), e contará com a presença do Diretor Estadual do órgão, José de Lima Brandão.

    Na tarde de terça-feira (12), mães de pacientes da psiquiatria infantil participaram do terceiro encontro do grupo ‘Um amor especial’, criado a partir da observação da angústia da maioria das mães e da necessidade de dar suporte terapêutico às famílias. O encontro acompanhado pela equipe da psiquiatria infantil – coordenado pela psiquiatra Talita Serra –, acontece há dois meses e é uma forma de aproximar as mães, fazê-las compartilhar experiências e, a partir daí, criar condições para que elas possam lidar melhor com os filhos em tratamento.

    Na ocasião, foram expostas pinturas produzidas pelos pacientes com idade entre dois e dezessete anos. “Em geral, as crianças de dois anos que atendemos são autistas. Dos sete aos dezessete anos, são aquelas com transtorno bipolar, síndrome do pânico, autismo, esquizofrenia e deficiência intelectual. Usamos a pintura com todos aqueles que quiseram participar, os deixamos a vontade, e nos surpreendemos com o resultado das telas”, afirma a psicóloga Ariadne Oliveira.

    O ambulatório de psiquiatria infantil é relativamente novo, e tem desenvolvido importante papel tanto no tratamento dos pacientes, quanto na construção do atendimento humanizado. “Esse departamento não existia, foi pensado para termos um espaço para atender crianças e adolescentes com deficiência intelectual e uso de álcool e drogas. Então, foi feito o acolhimento e dado início às terapias individuais”, explica a terapeuta ocupacional Juliana Lima. “Desenvolvemos as habilidades de cada um independentemente das dificuldades que elas apresentam tentando devolvê-las para o seu cotidiano”.

    Para a residência médica, também tem sido um fator relevante, segundo avaliação da Diretora Clínica do HNR, Maria José Medeiros. “Esse trabalho foi essencial para desenvolvermos a residência médica aqui no Maranhão, pois os médicos que estão em formação precisam ter essa disciplina no tema de psiquiatria infantil. Antes tínhamos apenas algumas crianças sendo atendidas, mas não dessa forma como estamos conseguindo realizar com sucesso. Nesse atendimento mais qualificado, com uma equipe multiprofissional, os residentes aprendem a melhor forma de cuidar da saúde mental dessas crianças e adolescentes”, ressaltou.

    Silvanira Estrela, mãe do menino Saulo, de dois anos, que iniciou o acompanhamento há pouco tempo, por uma suspeita de autismo, tem notado que as atividades propostas começaram a influenciar o dia a dia do filho. “Viemos para cá como forma de intervir no desenvolvimento do autismo. Depois disso, percebo que ele esta evoluindo bastante e atribuo ao trabalho desenvolvido no hospital, à escola e ao acompanhamento em casa. Já tenho um filho de sete anos autista e é muito difícil, temos que estar o tempo inteiro estimulando-os. É uma luta diária, mas fico feliz por tê-los e os amo, como eles são”, pontua a mãe.

    A dona de casa Francisca dos Santos, mãe de Samuel Costa, de 14 anos, que tem esquizofrenia, ressalta a forma como se sente acolhida e espera que o filho – que também iniciou tratamento recentemente –, tenha melhoras significativas. “Acho que as crianças envolvidas nessas atividades se desenvolvem mais. Sei que o meu filho estará entre elas, pois as nossas expectativas são por melhores condições de vida e que nossos filhos se restabeleçam”, completou.

    No dia 18 de maio, Dia Nacional do Movimento Antimanicomial, o Departamento de Atenção à Saúde Mental realizará uma caminhada às 8h, partindo da Praça Deodoro, em homenagem à data. “Faremos essa caminhada em prol dessa luta e, no dia 20 de maio, realizaremos um encontro formativo através de web conferência no Auditório do Hospital Universitário Presidente Dutra, com dois palestrantes de outros estados que estarão compartilhando com nossos profissionais a situação do trato à saúde mental em suas localidades”, afirmou o Chefe de Departamento de Atenção à Saúde Mental, Márcio Menezes.

    Sobre a Luta Antimanicomial
    A luta antimanicomial é um movimento social que reúne todos os interessados, sendo usuários, familiares, profissionais e sociedade na defesa de um tratamento humanizado das pessoas com transtornos mentais e tem como base o respeito aos direitos humanos, à liberdade e à cidadania.

    O Dia Nacional do Movimento Antimanicomial ou Luta Antimanicomial no Brasil, ficou estipulado em 1987. Naquele ano a discussão sobre a possibilidade de uma intervenção social para o problema da saúde mental, especificamente, contra os absurdos que aconteciam nos Hospitais Psiquiátricos ganhou relevância, permitindo o surgimento específico deste movimento.

    Desde então, a participação dos usuários de serviços e seus familiares, se tornou característica deste movimento. Em 1987, estabeleceu-se o lema: ‘Por uma sociedade sem manicômios’, e o 18 de maio foi definido como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data comemorada desde então em todo o país.

    A Luta Antimanicomial é fruto de enfrentamentos e percalços há mais de quatro séculos, em que se marginalizava o sujeito com transtorno mental e o remetendo à internação. A partir do marco da luta antimanicomial, criou-se uma nova política pública de atenção à saúde mental, conhecida como Lei 12016/01 (Lei Paulo Delgado).